Aplicativo gratuito da OMS para triagem auditiva versão português é lançado com participação da UFPB

Aplicativo gratuito da OMS para triagem auditiva versão português é lançado com participação da UFPB

Fonte: ClickPB
Por Emmanuela Cristine Leite Nunes
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Foto: Reprodução/ClickPB

Detectar precocemente falhas na audição e prevenir a perda auditiva é o que garante a versão em português do aplicativo hearWHO, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e demais instituições brasileiras como a USP Bauru e UFRN. A ferramenta foi lançada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um recurso gratuito. Ao passar pelo teste, o usuário recebe um resultado e é orientado a buscar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) caso se confirme alguma suspeita.

A colaboração da UFPB teve início no ano de 2017, quando as fonoaudiólogas Hannalice Gottschalck Cavalcanti (UFPB), Deborah Viviane Ferrari (FOB-USP), Sheila Andreoli Balen (UFRN), juntamente com estudantes de pós-graduação e graduação – conduziram diferentes pesquisas para a validação do TDR para o português brasileiro. Os estudos tiveram o apoio dos pesquisadores Cas Smits, criador do TDR (Universidade de Amsterdã UMC, Países Baixos), e De Wet Swanepoel, que adaptou o TDR para um aplicativo de dispositivos móveis (Universidade de Pretória, África do Sul).

De acordo com a OMS, o aplicativo “hearWHO” usa a tecnologia “digits-in-noise” que interage diretamente com o paciente. Pede-se aos usuários que se concentrem, ouçam e insiram em seus dispositivos móveis uma série de três números, quando solicitados. Esses números foram gravados contra níveis variados de som de fundo, simulando condições de escuta na vida cotidiana. O aplicativo exibe a pontuação, o que ela significa e armazena o resultado do teste para que o usuário possa monitorar o status de sua audição ao longo do tempo. Lembretes para fazer o teste regularmente podem ser definidos na ferramenta – que pode ser usado por indivíduos e profissionais de saúde para facilitar a triagem auditiva, especialmente em ambientes com poucos recursos.

Uma pesquisa feita pela Universidade Luterana do Brasil, no Rio Grande do Sul identificou 26,1% da população com algum grau de perda auditiva e 6,8% perda auditiva incapacitante, e que precisam de tratamento. Desses 5,4% das pessoas tinham perda auditiva moderada; 1,2%, severa; e 0,2%, profunda. A pesquisa identificou ainda que os grupos com maior risco de desenvolver perda auditiva foram: homens, pessoas com 60 anos ou mais e indivíduos com menor escolaridade e renda.

Segundo a OMS, o “hearWHO” traz o acesso gratuito ao diagnóstico precoce e permite o monitoramento contínuo da audição. Dados da organização revelam que 466 milhões de pessoas no mundo têm deficiência auditiva incapacitante, sendo 432 milhões de adultos e 34 milhões de crianças). Estima-se que, até 2050, mais de 900 milhões de pessoas – ou uma em cada dez – terão perda auditiva incapacitante. Mundialmente, a perda auditiva não atendida representa um custo anual de US$ 750 bilhões.

Entre os sintomas do início da perda auditiva estão sensação de zumbido no ouvido, não conseguir ouvir partes de uma conversa ou costume frequente de aumentar o volume de aparelhos de televisão, rádio ou dispositivos de áudio.

O evento de lançamento contou com a presença de representantes da Opas, do Ministério da Saúde, da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia e de outros especialistas.

Além das universidades brasileiras, o desenvolvimento do hearWHO contou com a participação de pesquisadores internacionais, como Cas Smits e De Wet Swanepoel, que contribuíram para a adaptação do TDR para dispositivos móveis. Essa colaboração reforça a importância da pesquisa em saúde auditiva e a necessidade de ferramentas acessíveis para a população.

 

 

Fonte: https://www.clickpb.com.br/saude/aplicativo-oms-triagem-auditiva-ufpb.html