Adotar um estilo de vida saudável depois de ser diagnosticado com câncer de próstata (PCa) pode reduzir o risco de morte por malignidade, os pesquisadores concluíram em uma apresentação no Simpósio de Cânceres Geniturinários 2016 em San Francisco.
Para concretizar este benefício de sobrevivência, os pacientes com PCa precisam fazer frequente atividade física vigorosa, abster-se de fumar, manter um peso saudável e consumir uma dieta rica em vegetais crucíferos, gorduras saudáveis, de fontes vegetais, café e vinho, de acordo com uma equipe de pesquisadores liderada por Stacey A. Kenfield, ScD, da Harvard School of Public Health em Boston. Os pacientes devem reduzir a ingestão de carne processada, aves com pele e leite gordo e evitar o excesso de selênio suplementar.
O grupo da Dra. Kenfield baseiou suas conclusões em um estudo de 3.583 homens no Estudo de Seguimento de Profissionais da Saúde que foram diagnosticados com PCa não metastático de 1986 a 2008 e seguidos até 2012. A duração mediana de seguimento foi de 11 anos. Dstes homens, 240 morreram de PCa.
Os investigadores calcularam escores com base na aderência dos pacientes a 11 fatores de risco baixo, a cada um dos quais foi atribuído um escore de 1 ponto. Esses fatores incluíam não fumar correntemente ou pelo menos 10 ou mais anos atrás; um índice de massa corporal menor que 30 kg/m2; 3 ou mais horas semanais de atividade vigorosa e/ou caminhada por 7 ou mais horas por semana; consumir 1 ou mais porções diárias de vegetais crucíferos; consumir 3 ou mais porções semanais de nozes e molho para salada à base de óleo; consumir menos de 2 porções por semana de carne processada; 0 porções por semana de aves com pele ou sanduíches de frango/peru; ingestão de menos de 140 µg por dia de selênio suplementar; consumir menos de 4 porções por semana de leite gordo; beber 4 ou mais porções por dia de café; e 7 ou mais porções por semana de vinho.
Na análise multivariável, os pacientes que tiveram um escore de 4 – 7 e 8 – 11 tinham 48% e 75% de diminuição do risco de morte por PCa em comparação com aqueles que tiveram um escore de 0-3, relataram os investigadores.
"Há um profundo impacto das escolhas de uma dieta prudente e exercício para reduzir o risco de câncer de próstata letal", disse o Dr. Kenfield à Renal & Urology News. "Esses resultados devem estar fortalecendo os homens com este diagnóstico e podem servir como um lembrete para os médicos aconselhar seus pacientes sobre os comportamentos em relação à saúde."
A respieto de como as mudanças na dieta e no estilo de vida podem influenciar o risco de morte de PCa, a Dra. Kenfield observou: "Estes comportamentos saudáveis potencialmente agen através de mecanismos biológicos similares, incluindo hiperinsulinemia, resistência à insulina, fatores de crescimento semelhante à insulina e proteínas de ligação associadas, regulamento de hormônios sexuais, inflamação, produção e sinalização de adipocina e estresse oxidativo".
Evidências científicas quanto a que as práticas em relação à dieta e ao estilo de vida podem retardar a progressão de PCa estão aumentando, ela disse. Em novembro, a Fundação de Câncer de Próstata, em colaboração com a Universidade da Califórnia em San Francisco e Harvard T.H. Chan School of Public Health em Boston, publicou um guia de dieta e estilo de vida chamado "Saúde e bem-estar: Vivendo com câncer de próstata", para pacientes e cuidadores. (O guia está disponível em http://www.pcf.org/atf/cf/%7B7C77D6A2-5859-4D60-AF47-132FD0F85892%7D/PCF_H&W_Guide.pdf).
"Esperamos que este guia aumente a consciência entre os pacientes e urologistas/oncologistas sobre o estado da ciência sobre numerosos fatores relacionados com a dieta e o estilo de vida e medicamentos para a prevenção da progressão do câncer de próstata", disse a Dra. Kenfield. "Há potenciais benefícios que apresentam a alimentação e exercícios que podem se adotar para melhorar a sobrevivência do câncer de próstata e complementar o manejo clínico."
Fonte: Medcenter
