Metamizol para o tratamento da dor pós-operatória em crianças

Metamizol para o tratamento da dor pós-operatória em crianças

A dor como experiência subjetiva é difícil de comprovar cientificamente, inclusive mais na etapa pré-verbal e por sua vez diferenciá-la de outras situações de estresse ou desconforto. A resposta à dor e particularmente o comportamento diante da dor, pode ser afetada por fatores culturais e familiares; já que as crianças e os adolescentes geralmente aprendem dos pais sobre o comportamento social frente à dor.

Como expõe Gloria Pamella Palo Nuñez em sua tese apresentada junto à Universidade de San Martín De Porres (Peru), a dor pós-operatória é um tipo de dor aguda nociceptiva. A lesão tissular aguda originada pela cirurgia continua até que se produz a cura. Quanto aos tratamentos analgésicos, a autora explica que são abordados de diferentes maneiras: suprimindo a causa da dor, com a aplicação de fármacos por diferentes vias, aplicação dos meios físicos e intervenção psicológica.

Do mesmo modo, afirmam que existem dois analgésicos cuja utilização em crianças é controversa, mas que se usam amplamente no controle da dor. Eles são o Cetorolaco e o Metamizol, que embora sejam fármacos efetivos na prevenção da hiperalgesia, a ação do Cetorolaco sobre os tromboxanos e a do Metamizol sobre os granulocitos, limitaram seu uso sobretudo em crianças.

Em função das dúvidas que gera o uso do Metamizol pelas possíveis reações adversas (ADR) graves que pode gerar, Melanie Fieler e cols. publicaram um estudo no European Journal of Anaesthesiology, onde afirmam que não se publicaram estudos de tolerabilidade com amostras de tamanho considerável, por isso se propuseram avaliar a utilidade de metamizol em crianças de até 6 anos que receberam tratamento cirúrgico, com um enfoque específico nas ADR graves, como reações hemodinâmicas, anafiláticas ou respiratórias e agranulocitose.

Seu estudo multicêntrico, prospectivo, não intervencionista, de observação, de tolerabilidade subsequente à autorização (PASS), foi realizado em seis diferentes centros pediátricos entre setembro de 2013 e setembro de 2014. A amostra incluiu 1177 crianças de até 6 anos (classes I a III do estado físico da American Society of Anesthesiologists) que receberam uma só dose de metamizol para o tratamento da dor pós-operatória.

Documentaram características demográficas do paciente, diagnósticos principal e secundário, procedimentos cirúrgicos realizados, dose de metamizol, dados hemodinâmicos, utilização de outros analgésicos e bloqueios regionais, resultados de medição da dor (Escala de Dor Pós-operatória em Crianças e Lactentes, ChIPPS) e frequência de ADR utilizando um formulário de relatório de caso normalizado.

Os autores sugerem que de 1177 crianças observadas nos seis centros pediátricos, foram incluídas 1145 para análise [idade 35,8 ± 18,1 (0,1 a 72) meses]. A dose média de metamizol foi 17,3 ± 2,9 (8,3 a 29,4) mg kg-1. A pressão arterial média (MAP) manteve-se estável durante a infusão de metamizol [inicial 55,7 ± 11,3 (25 a 98) e depois da infusão 56,6 ± 11,3 (25 a 99) mmHg; p < 0,01].

Observaram prurido, edema e exantema em um paciente cada um (total 0,3%). Nenhum efeito adverso respiratório foi relacionado com a administração de metamizol e não foi relatado nenhum sinal clínico de agranulocitose. Todos os dados correspondem a média ± DP (intervalo).

Fieler e sua equipe consideram que as doses intravenosas individuais de metamizol que se utilizaram para a prevenção ou o tratamento da dor pós-operatória foram bem toleradas em mais de 1000 crianças de até 6 anos de idade. A probabilidade de ADR grave (reações hemodinâmicas, anafiláticas ou respiratórias) é menor de 0,3%. O tamanho da amostra e o acompanhamento não foram suficientes para detectar episódios de agranulocitose.

Fonte: medcenter.com.br