A tomografia computadorizada e a impressão tridimensional contribui para a separação cirúrgica de gêmeos siameses

A tomografia computadorizada e a impressão tridimensional contribui para a separação cirúrgica de gêmeos siameses

 Tecnologia de impressão tridimensional foi utilizada pela primeira vez no planejamento cirúrgico da separação de gêmeos siameses, segundo um estudo apresentado no congresso anual da Radiological Society of North America (RSNA).

 
Os gêmeos siameses, ou gêmeos cujos corpos estão unidos, constituem cerca de um em cada 200.000 produtos nascidos vivos. As taxas de sobrevida são baixas e separá-los mediante intervenção cirúrgica é muito difícil, em virtude de que compartilham órgãos e vasos sanguíneos.
 
Especialistas do Hospital Infantil de Texas em Houston adotaram um novo enfoque a estes problemas quando planejaram a separação cirúrgica de Knatalye Hope e Adeline Faith Mata, as gêmeas siamesas de Lubbock, Texas. Knatalye e Adeline nasceram em 11 de abril de 2014 e estavam conectadas pelo tórax até a pélvis.
 
"Este caso foi singular no grau de fusão", disse o autor principal do estudo, Dr. Rajesh Krishnamurthy, chefe de pesquisa de radiologia e imagens cardíacas no Hospital Infantil de Texas. "Foi uma das separações mais complexas que alguma vez foi realizada para gêmeos siameses".
 
Em preparação para a operação de separação, o Dr. Krishnamurthy e seus colaboradores realizaram imagens de tomografia computadorizada volumétrica com um scanner de 320 fileiras de detectores, administrando contraste intravenoso por separado a ambas as gêmeas para intensificar as vistas das estruturas vitais e ajudar no planejamento da separação, a fim de garantir a sobrevivência das duas crianças. Utilizaram uma técnica conhecida como TC controlada com ECG prospectivo em modo objetivo para congelar o movimento dos corações das imagens e obter uma vista mais detalhada da anatomia cardiovascular e ao mesmo tempo conservar em um grau baixo a exposição à radiação.
 
"A tomografia computadorizada demonstrou que os corações das bebês estavam na mesma cavidade mas não estavam fundidos", disse o Dr. Krishnamurthy. "Do mesmo modo, detectamos um plano de separação do fígado que os cirurgiões poderiam utilizar".
 
A equipe transferiu os resultados das imagens de tomografia computadorizada a um modelo tridimensional físico com códigos de cor e elaborou estruturas esqueléticas e suporte com base em resina de plástico duro, e órgãos construídos a partir de um material parecido à borracha. Os fígados foram impressos em peças de resina transparente por separado, com os vasos sanguíneos importantes ilustrados em branco para uma melhor visibilidade. Os modelos foram concebidos de maneira que pudessem ser ensamblados juntos ou separados durante o processo de planejamento cirúrgico. A equipe de cirurgia utilizou os modelos durante o processo de preparação exaustiva que culminou na intervenção cirúrgica.
 
Em 17 de fevereiro, um pouco mais de 10 meses depois que nasceram, as gêmeas Mata se submeteram à separação cirúrgica por uma equipe de mais de 26 profissionais clínicos, representada por 12 cirurgiões, seis anestesiologistas e oito enfermeiras cirúrgicas. A separação oficial ocorreu às 18 horas em uma operação que durou 26 horas.
 
Os modelos tridimensionais resultaram ser uma excelente fonte de informação, já que não houve discrepâncias importantes entre os modelos e a anatomia real das gêmeas.
 
"Os cirurgiões identificaram os pontos de referência para fígados, corações e órgãos pélvicos justamente como o havíamos descrito", disse o Dr. Krishnamurthy. "A concordância foi quase perfeita".
 
O Dr. Krishnamurthy espera que a combinação de TC volumétrica, a modelação 3D e a impressão 3-D se convertam em uma parte normal da preparação para a separação cirúrgica de gêmeos siameses, embora existam obstáculos para sua adoção.
 
"A tecnologia de impressão 3-D avançou significativamente e os custos estão diminuindo. O que é limitante é a falta de reembolso por estes serviços", disse. "O procedimento na atualidade não é reconhecido pelas companhias de seguros, de maneira que agora mesmo os hospitais estão apoiando os custos".
 
Além de ajudar os profissionais clínicos a preparar-se para a intervenção cirúrgica, o modelo 3-D cumpriu outra função importante: ajudar os pais das gêmeas, Elysse e John Eric Mata, a compreender o processo.
 
"Quando mostrei à mãe o modelo e expliquei a ela o procedimento, tomou minha mão e me agradeceu", lembra o Dr. Krishnamurthy. "Disseram, 'pela primeira vez, compreendemos o que é o que vai ocorrer com nossas bebês'".
 
Knatalye Hope retornou a sua casa em maio de 2015 e sua irmã Adeline Faith chegou a sua casa um mês depois. Ambas estão evoluindo bem e têm uma página no Facebook, "Ajudando Faith & Hope Mata", com atualizações sobre sua evolução.
Fonte: medcenter.com.br