A cistectomia radical com assistência robótica (RARC) é uma alternativa inócua e viável à cistectomia radical aberta (ORC) em pacientes idosos, segundo um novo estudo.
A RARC parece estar associada a um tempo de operação mais prolongado, mas com menos hemorragia e hospitalizações mais breves, segundo uma equipe da Universidade de Washington em Seattle, dirigida pelo Dr. Brian R. Winters.
Do estudo retrospectivo participaram 87 pacientes com uma média de idade de 79,6 anos, dos quais 29 e 58 se submeteram à RARC e à ORC, respectivamente. A mediana de acompanhamento depois de RARC e ORC foi 0,7 anos e 1,7 anos, respectivamente.
A mediana de tempo operatório para o grupo submetido à RARC foi 413 minutos em comparação com 370 minutos para o grupo com ORC, relataram o Dr. Winters e seus colaboradores on-line no Journal of Endourology. A média de hemorragia estimada (EBL) foi 257 ml (DP 144 ml) no grupo submetido à RARC versus 641 ml (DP 291 ml) no grupo com ORC. Os pacientes com ORC mais frequentemente necessitaram de transfusões sanguíneas que os pacientes com RARC (36% versus 10%). A média de duração da hospitalização foi 7 dias (DP 2) para o grupo com RARC em comparação com 9 dias (DP 2) para o grupo com ORC. Todas estas diferenças intergrupais foram significativas. Excluíram-se os valores atípicos estatisticamente significativos de tempo de OR, EBL e LOS, para criar uma comparação mais conservadora entre os grupos. Os grupos com RARC e ORC não tiveram diferenças significativas a respeito das taxas de complicações cirúrgicas (38% e 38%, respectivamente) ou das taxas de reingresso em 90 dias (23% e 19%).
"Nosso estudo contribui para a evidência emergente de que os pacientes com RARC podem experimentar menos hemorragia, menos transfusões sanguíneas e hospitalizações mais curtas que os pacientes com ORC sem diferencia nas taxas de complicação", sugerem os autores. "Dado que os pacientes idosos apresentam comorbidade substancial, diminuição do estado funcional e risco de convalescença prolongada, estes dados demonstram que a RARC é inócua e envolve vantagens potenciais".
As limitações do estudo compreendem seu desenho retrospectivo, o tamanho pequeno da amostra e a evolução em cuidados perioperatórios no transcurso do tempo, o que pode influir nas comparações de resultados, explicam os investigadores. Outra limitação é o acompanhamento relativamente curto, que não permitiu a análise rigorosa da recidiva de câncer da bexiga e a sobrevida específica de doença e global. Do mesmo modo, os investigadores explicaram que sua análise está limitada a um só cirurgião robótico em comparação com vários cirurgiões que realizam a ORC.
Estes novos achados refletem alguns dos estudos prévios. Por exemplo, em um estudo sobre pacientes com câncer da bexiga de 75 ou mais anos de idade, o Dr. Kyle A. Richards e seus colaboradores, no Centro Médico Bautista da Universidade Wake Forest em Winston-Salem, N.C., demonstrou-se que os pacientes com RARC tinham uma mediana de tempo de operação significativamente mais prolongado em comparação com pacientes que se submetiam à ORC (461 [IQR 331 a 554] versus 370 minutos [IQR 294 a 460]), mas que tinham uma diminuição importante na mediana de EBL (275 [IQR 150 a 450] versus 600 ml [IQR 500 a 1925]) e uma mediana de hospitalização (7 [IQR 5 a 8] versus 14,5 dias [IQR 8 a 22]) segundo um estudo publicado no Journal of Endourology (2012;26:1301-1306). "Se contarmos com uma equipe robótica experiente, a RARC deve ser levada em conta em pacientes idosos devido a que pode oferecer uma vantagem importante no que diz respeito à morbidade perioperatória em relação com a ORC", concluíram os autores.
