Nova York detecta 1º caso de poliomielite em dez anos: por que o vírus está se espalhando tão rápido

Nova York detecta 1º caso de poliomielite em dez anos: por que o vírus está se espalhando tão rápido

Nova York registrou o primeiro caso de poliomielite em quase uma década. O paciente foi identificado como um homem adulto não vacinado residente do condado de Rockland. O departamento de saúde de Nova York afirmou que a transmissão ocorreu por alguém que recebeu a vacina oral contra a doença, que não é administrada nos EUA desde 2000.

Apesar de não terem divulgado o estado de saúde do paciente, sabe-se que é um homem da comunidade judaica ortodoxa, que começou a apresentar os primeiros sintomas há cerca de um mês. “Ele teve muita fraqueza e paralisia”, revelou Patricia Schnabel Ruppert, médica no departamento de saúde de Rockland.

Segundo as autoridades, o homem não é mais contagioso. As autoridades agora estão observando e entrando em contato com a família e pessoas próximas que o homem poderia ter tido contato para avaliar o risco para a comunidade local.

A recomendação é que aqueles que não se vacinaram, ou não completaram o círculo vacinal contra a poliomielite, o façam. O caso atual apresenta um risco muito baixo para aqueles que já estão vacinados.

O último caso registrado de poliomielite nos Estados Unidos foi em 2013. O paciente foi infectado com o vírus no exterior. Não há um caso originário da doença no país desde 1979, quando ela foi considerada eliminada, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Risco de retorno da doença

A baixa cobertura vacinal está por trás dos recentes casos de pólio identificados em países que já haviam eliminado há doença há muitos anos, como os Estados Unidos. Basta lembrar que apenas neste ano, pelo menos três países registraram a presença do vírus.

Além desse caso registrado nos EUA, Israel apresentou uma série de infecções no início do ano e o vírus foi encontrado no Reino Unido pela primeira vez em quarenta anos. Também houve um surto da doença no Malawi, na África, após a infecção de uma criança de 3 anos pelo polivírus selvagem tipo 1. No Brasil, especialistas e autoridades de saúde, incluindo a Fiocruz, não param de alertar sobre o risco de retorno da doença.

A poliomielite é uma doença que foi considerada eliminada na região das Américas e em outras partes do mundo. Entretanto, não foi erradicada do mundo, pois o vírus silvestre continua a circular em países como Afeganistão e Paquistão.

Baixa cobertura vacinal

Devido às baixas taxas de vacinação, o risco de retorno da doença nunca esteve tão alto. O Brasil não cumpre, desde 2015, a meta de imunizar 95% do público-alvo, patamar necessário para que a população seja considerada protegida contra a doença. Segundo informações do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI), a cobertura vacinal com as três doses iniciais da vacina está muito baixa: 67% em 2021. A cobertura das doses de reforço (a de gotinha) é ainda menor, e apenas 52% das crianças foram imunizadas. Nas regiões Nordeste e Norte, a situação é ainda pior, com percentuais de 42% e 44%, respectivamente, para a imunização completa com as cinco doses.

O cenário se repete no mundo todo. Um relatório recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) em conjunto com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) escancara o maior retrocesso nas taxas de vacinação infantil nos últimos 30 anos. Para as instituições, o declínio é associado a fatores como o aumento da desinformação no contexto da pandemia da Covid-19, os desafios logísticos pela emergência sanitária e o número crescente de crianças que vivem em áreas de conflito e vulnerabilidade.

No Brasil, o esquema de vacinação contra a pólio é composto de cinco doses. As três primeiras são feitas com a vacina de vírus inativada. Ela é aplicada via injeção aos 2, 4 e 6 meses de idade e protege contra os três tipos conhecidos desse vírus. Para completar, devem ser dadas duas doses de reforço com a vacina atenuada, a famosa gotinha. A primeira, entre os 15 e os 18 meses de idade e, a última, aos 4 anos idade.

Em pessoas que já tomaram a vacina inativada, a gotinha é considerada segura e eficaz. No entanto, as pessoas que recebem a vacina oral, que contém uma versão enfraquecida do vírus, podem transmiti-lo para pessoas não vacinadas.

Fonte: https://www.clickpb.com.br/saude/nova-york-detecta-1-caso-de-poliomielite-em-dez-anos-por-que-o-virus-esta-se-espalhando-tao-rapido-333152.html